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A água do planeta está acabando?

02 março 2015

 

Em tempos de crise de abastecimento, crianças e adolescentes têm chegado apavorados às escolas, receosos de ver torneiras e bebedouros vazios em sua cidade. E nas salas de aula, sempre perguntam por que não se cria uma máquina que produza água artificialmente.

A resposta é simples, e surpreende: é porque, na verdade, não precisa. A água do planeta não está acabando. A quantidade desse recurso natural se mantém a mesma há milênios, são bilhões de quilômetros cúbicos que não aparecem nem desaparecem de uma hora para outra. Mesmo se considerarmos apenas a centésima parte deste volume, que é a considerada potável, ou seja, em condições de ser consumida, ainda teremos água suficiente para todos. Por que, então, falta água?

Criar condições para que os próprios estudantes respondam a essa pergunta é a contribuição que as escolas devem dar. Elas podem abrir fóruns sobre as desastrosas intervenções humanas no ambiente e suas consequências. O desmatamento na Amazônia reduz os “rios voadores”, nuvens que levam água para o resto do país; o assoreamento dos rios e a degradação das nascentes comprometem a água que chega às cidades; metais pesados poluem lagos e rios que poderiam estar sendo usados no abastecimento, e o aquecimento global repercute na frequência e localização das chuvas. Ao invés daquela chuva moderada e constante que enchia as represas, hoje temos o transtorno dos temporais nos grandes centros seguidos por longos períodos de estiagem; seca no Sudeste e enchentes no Sul. E enquanto isso, 30% de toda a água potável que nos resta é desperdiçada em vazamentos ou “roubada” clandestinamente.

Como o racionamento é iminente, outra discussão que as escolas devem estimular é sobre quem é o dono da água. Ou seja, quem gasta mais, em que setor a economia fará mais diferença, ou onde as torneiras não podem secar. Essas decisões não podem ser tomadas em gabinetes a portas fechadas. É preciso que a sociedade decida, em conjunto, onde e quando a água será racionada.

A comunidade escolar deve dar o exemplo, discutindo democraticamente dentro da própria escola como economizar água e também energia, e incentivando propostas de atuação que cobrem dos representantes do executivo e do legislativo medidas que garantam, a longo prazo, o manejo sustentável de nossos recursos naturais.

Em 2013, tive a oportunidade de acompanhar com um grupo de alunos do ensino médio aqui do Magnum que pesquisou o consumo de água na cidade e descobriu que menos de 10% era para uso doméstico. Agricultura e indústria, juntos, utilizavam mais de 90%. Assim, levantaram dados sobre o gasto de água em diversas construções e enviaram cópias de um projeto para as construtoras, sugerindo procedimentos que reduzissem esse gasto durante, por exemplo, a colocação das lajes, ou a implantação de jardins em coberturas, capazes de absorver água de chuva e impedir sua rápida evaporação. Outro grupo, ainda, montou uma planta de reaproveitamento de água de chuva dentro da própria escola, e que previa economizar até 13 mil litros de água por mês!

Esse é o grande desafio dos educadores: é preciso mostrar que atitudes simples como reaproveitar água dos bebedouros para limpeza ou rega de jardins, ou diminuir o tempo do banho nos vestiários são importantes e sinalizam respeito com um bem tão precioso. Mas também é função social das escolas criar cidadãos que tenham maturidade socioemocional para discutir e propor soluções que envolvam o conjunto da sociedade, porque a água não tem um só dono, ela é de todos nós.

ADJALMA RODRIGUES - Professor de Química do Colégio Magnum Cidade Nova

*Texto publicado no jornal Estado de Minas/ Caderno: Opinião/ Data: 1º/3/2015

 

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