COLÉGIO MAGNUM CIDADE NOVA

UMA ESCOLA COMPLETA

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Acontece no Magnum

Tema transversal 2021

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TEMA TRANSVERSAL 2021

   O norte-americano Leon C. Megginson, um dos mestres da moderna administração, cunhou uma frase perfeitamente adequada ao difícil ano por que estamos passando: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.”.

   2020 foi um ano que exigiu de todos nós capacidade de adaptabilidade e resiliência, quebramos nossa rotina e fomos obrigados a nos fecharmos em um penoso isolamento social. Mas, um conhecido provérbio português há muito nos ensinava: “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe.”.

   Se nossa normalidade se rompeu de uma hora para outra, impondo-nos desconforto, medo e insegurança, 2020 vai terminando com a certeza de que somos capazes de suportar mais adversidades do que imaginávamos.

   É inegável que existe uma grande expectativa em relação ao próximo ano. Muitas coisas estarão mudadas e sabemos que alguns setores, por sofrerem mais com a crise decorrente da pandemia, encontrarão mais dificuldade para se reequilibrarem. No setor educacional, não será diferente. O mais provável é que, tão logo as aulas presenciais sejam restabelecidas, o aprendizado adquirido neste ano tão crítico motivará modificações que deverão incorporar-se à prática escolar daqui para a frente. E um exemplo claro desse novo modelo de aprendizado é o ensino a distância, que foi implementado em grande parte das escolas, em decorrência da imposição do isolamento social.

   Neste cenário, as escolas se viram na contingência de valorizar e aperfeiçoar  a aprendizagem remota como condição para manter o contato com os alunos dando, assim, continuidade a suas atividades escolares e possibilitando que eles continuassem estudando em casa, sem interromper o seu processo de aprendizagem. O relativo sucesso dessa experiência sinaliza para uma mudança no modelo educacional dos colégios que, nos próximos anos, passarão a oferecer um sistema misto, que fará uma adequação entre o sistema presencial e o remoto, propiciando uma eficiência maior do que a que presenciamos no ensino anterior à pandemia. 

   Levando em consideração o fato de que o mundo não será o mesmo após 2020, os gestores escolares devem buscar, necessariamente, a formatação de um planejamento que tenha foco no futuro das escolas. Foi a partir da análise dessa necessidade que observei que alguns aspectos precisarão ser especialmente considerados, uma vez que se relacionam com o principal objetivo da educação: o estudante.

   Primeiramente, é preciso que os gestores admitam que, apesar do discurso proposto em reuniões, redes sociais e inserido nos projetos político-pedagógicos, ressaltando a importância do desenvolvimento da autonomia dos estudantes, o modelo educacional vigente, na prática, tem gerado o oposto, a heteronomia. Essa realidade veio à tona neste ano, quando os alunos, isolados em casa, foram chamados a exercer uma esperada autonomia, uma competência socioemocional que implica mobilização de conhecimentos e o uso de habilidades como disciplina, proatividade, responsabilidade, esforço, perseverança e tomada de decisão. 

   Quando os estudantes, em função da Covid-19, saíram do olhar controlador da escola, os educadores perceberam que, em muitos casos, essas habilidades não haviam sido desenvolvidas como deveriam. Então, na volta às aulas presenciais, o primeiro passo a ser dado nos estabelecimentos de ensino deve ser em direção a uma mudança na cultura escolar, a fim de que se desenvolva um trabalho efetivo, visando ao desenvolvimento de uma real autonomia do aluno. Esse foco vai exigir do gestor escolar um grande investimento na formação dos professores e na própria escola, uma vez que as faculdades não os habilitam a desenvolver, com eficiência, esse trabalho de tamanha relevância. As próprias famílias também precisam participar ativamente dessa proposta, já que a natural proteção dos pais em relação a seus filhos pode limitar a sua autonomia. 

   Pensando na importância de se fazer com que o aluno desenvolva essa autonomia, é que se deve repensar também no papel da tecnologia como ferramenta utilizada a favor da educação.

   Há anos, manifestando certo deslumbramento diante das possibilidades da informática, as escolas vêm substituindo o físico pelo virtual, adequando-se ao desenvolvimento digital característico do mundo atual. Houve, sem dúvida, uma significativa transformação do espaço escolar: lousas alternando-se com as projeções em telas, livros de papel competindo com versões eletrônicas e laptops, aulas a distância, instruções tutoriais aprimoradas, apostilas substituídas pelo Google, consulta de notas e outros interesses com acesso imediato a arquivos eletrônicos, entre tantos avanços. Contudo, essa tecnologia também precisa ser direcionada, visando à autonomia do aluno. Nesse universo, há muito a ser feito, como, por exemplo, o desenvolvimento da gamificação direcionada à aprendizagem autônoma, da aprendizagem adaptativa, além daquela que se processa por meio de comunidades colaborativas. 

   Em segundo lugar, deve ser considerado o fato de que há inegáveis gaps na educação a serem analisados e resolvidos na volta às aulas. Um deles diz respeito às competências cognitivas, que devem ser trabalhadas a partir de uma avaliação diagnóstica, análise de resultados e tratamento das defasagens percebidas. O isolamento social, determinado pelas atuais circunstâncias, expôs uma grande dificuldade de os educadores processarem a gestão das emoções dos alunos sob sua responsabilidade. Verificou-se nestes a existência de uma grande fragilidade emocional, o que dificultou sobremaneira o atendimento dos profissionais da educação a  um significativo número de crianças e adolescentes. 

   A partir desta constatação, fica clara a necessidade de destinar às habilidades socioemocionais um tempo maior no currículo das escolas. Novamente, surge a questão de que a formação universitária dos professores não tenha contemplado essa particularidade de forma satisfatória. Então, a solução é o gestor escolar assumir a preparação dos educadores na própria escola, a fim de torná-los capacitados a desempenhar, com êxito, essa importante função. 

   Assim, vivendo a expectativa da volta às aulas, sabemos que um novo cenário está sendo desenhado e, quando estiver ativado, nele serão necessários novos modelos, metodologias, práticas, professores e gestores. Toda esta crise que se estendeu por 2020, apesar dos dramas reais ocorridos na saúde pública, do clima de pânico instalado, das perdas econômicas e afetivas, apresenta também, como todas as crises pelas quais a humanidade já passou, uma série de oportunidades. Na educação, a maior delas é a de se desenvolver uma nova escola, muito melhor do que esta que tivemos até hoje.

   Diante das mudanças e desafios vivenciados em 2020 e das perspectivas para os próximos anos, acreditamos que cada vez mais se faz necessária a união entre família e escola, com foco na formação completa de crianças e jovens.

   Por isso, para 2021, vamos manter o tema transversal utilizado em 2020: “Família e escola unidas para formar crianças e jovens fortalecidos emocionalmente, íntegros, protagonistas e motivados a servir ao próximo”.

   Nosso tema transversal constitui um convite, um apelo à união de todos os envolvidos no trabalho educativo do Colégio. Atuando como um time fortalecido pela determinação de conseguir a melhor formação para nossas crianças e adolescentes, pais e educadores contribuem significativamente para a construção de uma nova sociedade.

 

Eldo Pena Couto

Diretor do Colégio Magnum