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A importância da resiliência para a prática da comunicação não violenta durante a quarentena

19 maio 2020

As relações interpessoais são fundamentais para a formação do ser humano. É ainda mais evidente a necessidade de estabelecer conexões e lidar bem com o outro durante a quarentena, quando há uma convivência mais intensa com aqueles que partilhamos do isolamento social, recomendado pelos órgãos de saúde em virtude da pandemia da COVID-19. Diante disso, práticas como a resiliência e a comunicação não violenta contribuem para as relações e a aquisição de competências socioemocionais. Isso porque promovem uma convivência saudável em diferentes ambientes, mesmo nos momentos de crise.

 

Conflitos na comunicação

A comunicação violenta se dá quando, ao nos comunicarmos com outras pessoas, usamos de julgamentos e críticas, falamos com raiva e não ouvimos o outro. Ela está ligada ao hábito de não prezar pela empatia em um discurso.

Falar algo de maneira agressiva, elevando o tom de voz, impedindo que o outro fale, são algumas das características da comunicação violenta.

Para compreender melhor a ideia, pense no exemplo apresentado por Lana Medeiros, coordenadora de Formação do 2° ao 5º Ano do Ensino Fundamental do Colégio Magnum: ruídos na comunicação durante as aulas — ocasionados por comentários ofensivos entre colegas e desrespeito com o professor — podem atrapalhar a absorção do conteúdo. “Nas aulas virtuais, até o comportamento no chat deve ser educado e amistoso. Criamos uma dinâmica para que os estudantes não percam o vínculo com o aprender e com a sua comunidade escolar. Quando a interação social estabelecida é saudável, ela contribui para o aprendizado”, explica. Por outro lado, o ambiente agressivo e desconfortável tende a repelir o aluno, tirando o foco do que mais interessa: a busca pelo conhecimento. 

A coordenadora reforça que os conflitos sempre existiram, mas é indispensável identificá-los e enxergá-los como uma oportunidade de crescimento: “é por isso que se faz necessário ensinar e realizar práticas que promovam o desenvolvimento pessoal, tais como a comunicação não violenta na escola e com as famílias, que são fundamentais nesse processo de aprendizagem”.

 

O que é comunicação não violenta?

A comunicação não violenta tem como base a construção de relações positivas e diálogos empáticos. Ela parte do princípio da identificação dos sentimentos do outro, e, a partir disso, o tom da interação terá o objetivo de preencher essas necessidades. Quando houver discordância, o tom deverá ser pacífico. O conceito é aplicado no ensino em todo o mundo para fortalecer as noções de cidadania e convivência social. É também recomendado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Esse conceito foi elaborado pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg, na obra “Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”, publicado pela editora Ágora, referência no assunto.

Para Lana, essa é uma comunicação distanciada dos julgamentos, que incentiva a identificar as reais necessidades do outro. Sendo assim, é necessário se expressar de forma clara, comunicando os sentimentos sem desrespeitar os diferentes pontos de vista. Ademais, é válido cultivar esse tipo de comunicação em casa, para estabelecer relações cada vez mais harmônicas.

Uma vez que o ato de se comunicar envolve a percepção, a visão de mundo e as interpretações de cada pessoa, a comunicação não violenta parte da troca de informações com vistas à conexão. A coordenadora de Formação reforça que a comunicação não violenta também é constituída por aspectos como a empatia e a honestidade. “É preciso estabelecer uma comunicação com mais sintonia, com um propósito. Faz parte do processo saber reconhecer os próprios sentimentos e pensamentos; conhecer e respeitar as emoções do outro. Mais ainda, deve-se entender de qual maneira uma pessoa influencia a outra, para, se possível, prever pontos de conflito e gerir uma resposta mais pacífica”, observa Lana.

 

Como praticar a comunicação não violenta?

Consoante ao Centro de Comunicação Não Violenta (CNVC), essa é uma prática que deve ser refinada constantemente. Segundo a organização, ela pode ser realizada com base nas quatro etapas propostas por Rosenberg, ou seja: é preciso observar, descrever as emoções, expressar as necessidades e fazer o pedido. Tais etapas, além de guiarem a comunicação com o outro, podem ser usadas para gerenciar as próprias necessidades e conflitos internos.

Observe: é importante diminuir o ritmo da conversa para que ambos os lados possam refletir e esclarecer seus pontos de vista. O processo de comunicação não violenta começa com a observação. Nas conversas, isso ocorre com mais facilidade quando os participantes prestam atenção no que é dito e não demonstram julgamento em suas respostas.

Descreva suas emoções: é útil descrever sentimentos de preocupação, medo, desgosto, raiva ou confusão. Essa etapa consiste em falar sobre os sentimentos, ao invés de apontar para os problemas. Em uma conversa, ao tentar se fazer ouvir, as emoções devem ser claramente descritas. Nesse momento, as questões emocionais de cada indivíduo são expostas, porém, sem atribuir culpa ao outro.

Identifique suas necessidades: em uma conversa, retornar à identificação de necessidades pode remover obstáculos. Tendo em vista os ensinamentos da comunicação não violenta, todas as emoções que experimentamos quando estamos chateados estão ligadas a uma necessidade não atendida. Por isso, nesta etapa associam-se os sentimentos expressos às necessidades não atendidas de ambos os lados.

Faça um pedido: a demanda deve ser feita quando houver o entendimento entre as partes. Em um determinado ponto da conversa, é válido solicitar ações concretas que ajudem a satisfazer uma necessidade. Esse pedido também pode surgir naturalmente quando os dois lados estão se conectando.

 

O papel da programação neurolinguística na comunicação interpessoal

A comunicação eficiente pode ser alcançada por vários meios. Um desses instrumentos é a programação neurolinguística.

Um estudo da Universidade de Cambridge definiu a programação neurolinguística como uma coleção de técnicas, padrões e estratégias para auxiliar a comunicação eficaz, o crescimento e a mudança pessoal e o aprendizado.

Desenvolvida pelo estudante de linguística Richard Bandler e o psicólogo John Grinder, está relacionada à capacidade da linguagem de alterar certos comportamentos. Ela parte do princípio de que todos têm os recursos necessários para fazer mudanças positivas em sua própria vida.

Ainda, segundo a Associação Global para Programação Neurolinguística (ANLP), a prática auxilia no desenvolvimento de habilidades interpessoais e permite identificar áreas problemáticas que demandam maior atenção. Desse modo, cabe ressaltar que uma compreensão mais profunda sobre as questões emocionais dá uma nova perspectiva para as situações e melhora os relacionamentos interpessoais.

Leia também sobre a importância da inteligência emocional durante a quarentena.

 

O papel da resiliência na quarentena e na prática da comunicação não violenta

A resiliência é uma habilidade socioemocional que, segundo a Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (SBIE), consiste na capacidade de não entrar em desespero diante de algum imprevisto ou adversidade. Nesse sentido, lidar com os problemas superando os obstáculos e resistindo às pressões é o que torna o ser humano mais resiliente e, em consequência disso, mais capaz de se comunicar com os outros de forma saudável.

A resiliência integra a competência de “autoconhecimento e autogestão” na matriz de habilidades socioemocionais do Colégio Magnum, que está dividida por competências trabalhadas por cada faixa etária de acordo com as fases de desenvolvimento cognitivo e moral. O fundamento da resiliência, nesse contexto, parte da busca por conhecer a si mesmo e compreender a influência dos seus pensamentos e comportamentos no mundo.

A coordenadora de Formação explica que, dado o contexto da pandemia da COVID-19, o Colégio recorre à resiliência por entender sua importância para as famílias e para a comunidade escolar neste momento de quarentena. “Assim como ocorre na comunicação não violenta, a resiliência permite fazer da crise uma oportunidade de crescer e transformar”, afirma Lana Medeiros.

Conforme ela destaca, ao lidarmos com os desafios, essa habilidade possibilita o reconhecimento das emoções e pensamentos, os quais influenciam nossas relações e o convívio com as outras pessoas. “Se eu consigo ouvir sem julgar, consigo lidar com os problemas de maneira mais assertiva, mais adequada”, diz Lana.

Na quarentena, a coordenadora observa que “o maior desafio da resiliência é encontrar equilíbrio entre o otimismo realista, sem exageros, e o pessimismo que não seja doentio”. Quando entendemos esses sentimentos, respeitamos as limitações do outro diante do cenário atual e somos convidados enquanto famílias e escola a buscar o caminho da comunicação não violenta para chegar nas melhores soluções para as crianças e adolescentes.

 

Habilidades socioemocionais para a vida

Assim como a comunicação saudável, as habilidades socioemocionais, de acordo com a SBIE, agregam autonomia e segurança. Também facilitam a compreensão das emoções, para que possamos lidar com os desafios ao longo da vida.

A resiliência e a comunicação não violenta podem transformar as respostas habituais à vida, pois fomentam a responsabilidade. Por conseguinte, permitem aprofundar as conexões consigo mesmo e com os outros. 

Segundo Lana, essas habilidades favorecem a capacidade de refletir e recriar a rotina quando necessário e de adaptar-se, em vez de fugir, diante dos desafios e incentivam uma compreensão maior dos sentimentos. “Tornar tais condutas permanentes é indispensável para desenvolver indivíduos capazes de adaptar-se e de lidar com os momentos de crise, considerando o outro como fonte de aprendizado e inspiração para o desenvolvimento comum”, conclui.