COLÉGIO MAGNUM CIDADE NOVA

UMA ESCOLA COMPLETA

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Aprendendo na dor e no amor

23 março 2020

Providencialmente, neste ano de 2020, o Magnum, mais uma vez, está reiterando a importância da união entre a família e a escola em seu tema transversal e destaca o protagonismo servidor dos alunos em relação ao próximo. Nosso pensamento está em sintonia com  a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil  - CNBB - que adotou como tema da Campanha da Fraternidade “dom e compromisso”, numa reflexão que nos remete à parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37), que nos traz profundos ensinamentos acerca de como podemos aproveitar este período de cuidado e recolhimento, refletindo também sobre o comportamento daquele que parou, teve compaixão e ajudou ao próximo,  demonstrando que atitudes de  amor sempre superam as convenções e os preconceitos.

Para compreendermos um pouco mais sobre este momento que estamos vivenciando, a Coordenação de Espiritualidade do Colégio convida toda a Família Magnum a fazer uma reflexão a respeito do estado de apreensão no qual o mundo inteiro se encontra, em decorrência da propagação do COVID-19. Imersos no mundo da tecnologia, chegamos longe: descobertas científicas e tecnológicas são realizadas a cada momento e a informação disseminada em uma fração de segundo. O homem se orgulha pelos seus feitos, sua inteligência e sua capacidade de interagir com todo este avanço progressivo do conhecimento. Tudo parece fácil, um único acesso, apenas um click, um touch, está tudo nas mãos e sob controle.

Mas, de repente, como se mergulhássemos em um temido pesadelo, tudo se resumiu a um simples microrganismo, capaz de parar o mundo, a economia, o dinheiro e o poder. Ouvimos a sirene do toque de recolher, aquele aviso que nos dá medo, receio e nos enche de incertezas: o que vai acontecer agora?

Como que tomados por um ilusionismo, um simples passe de mágica, nos recolhemos, silenciamos e ficamos acuados, apreensivos por um inimigo que de tão pequeno se faz invisível aos olhos, presente em cada milímetro de qualquer superfície, nos quatro cantos ao nosso redor.

Há décadas, muitos de nós ouvíamos Raul Seixas cantando “utopicamente” O DIA EM QUE A TERRA PAROU. Cantarolávamos a canção sem entender que aquilo um dia poderia estar longe de ser ficção, o absurdo da humanidade paralisada poderia ser real. Mas, em meio a este momento estático, de medo e de insegurança, nos resta uma pergunta: o que podemos aprender com tudo isso?

Não esperávamos que a resposta pudesse chegar tão rápida... Com tão pouco tempo de reclusão, Deus já está nos dizendo muito. E agora, diante deste “Trem Bala”, passamos a compreender que somos apenas meros passageiros prontos para partir.

Silenciosamente, fazemos o caminho de volta, voltamos para dentro de nós, para o outro, para a família.  Somos convidados a fazer a caminhada da FÉ, do amor ao irmão, do cuidado com o outro, do pensamento comunitário, do bem-estar comum. Passamos a entender o quanto a vida é efêmera e fugaz, que nem tudo o dinheiro é capaz de comprar, que o valor não está nas coisas que acumulamos, mas nas pessoas que temos ao nosso redor.

Agora, o Universo está conspirando a nosso favor. Ele vem nos igualar, nos aproximar, ressaltar nossa interdependência, a vulnerabilidade da soberba humana. Estamos em uma prateleira, todos iguais, ricos e pobres, negros e brancos. Deus vem nos dizer que nada nos diferencia, que somos filhos de um mesmo Pai, que o amor está dentro de nós, das nossas casas... Que a felicidade não está naquilo que temos; o que nos diferencia é aquilo que somos. Assim, como em um curso intensivo da vida, aprendemos que sozinhos não somos nada, que precisamos uns dos outros para sermos essencialmente livres.

Então vamos ouvir o toque de recolher, vamos sair de nós mesmos, ir ao encontro daqueles que agora sim estão próximos; vamos ouvir os belos ensinamentos dos nossos idosos, compartilhar a ingenuidade das crianças, ganhar horas aprendendo com os questionamentos dos adolescentes. Vamos “perder tempo” ganhando vida. Vida em família, vida espiritual, vida compartilhada sem o touch, mas como família cristã, amando por meio de oração, palavras, gestos de carinho, escuta e resiliência.

Talvez, estejamos próximos de compreender que, durante este período de angústia e sofrimento, o ingrediente que não pode faltar nessa receita diária de convivência é a COMPAIXÃO; seguir o exemplo que Ele nos deixou; fortalecer o amor ao próximo.

Que em meio a esse caos, nós possamos ter lucidez, exercitar a FÉ INCONDICIONAL, aquela que nos dá a certeza de que Deus tudo sabe, tudo vê, que momentos difíceis passam, mas os aprendizados ficam, o cuidado por nós mesmos e pelo outro deve permanecer, como uma manifestação diária de cuidado e amor mútuo. 

“Nunca tenhais medo, Deus é muito melhor do que todas as nossas misérias e gosta muito de nós.”

Com essa frase do nosso santo Papa Francisco, rogamos a Deus para que tenha misericórdia de todos nós que somos sua mais perfeita criação. Que Ele nos proteja e nos permita sair melhores, mais humanos  e compassivos, pois o coronavírus vai passar, mas o amor e o cuidado pela humanidade tem que continuar.

Um abraço fraterno,

Breno Marco 

Coordenador da Espiritualidade Magnum