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Cristo e a expressão moderna da fé

10 abril 2021

   “Vivemos muito a cultura de pedir, mas com o sentimento de determinar”, comenta o diretor do Magnum, Eldo Pena Couto. Ele se refere ao fato de que, muitas vezes, a comunidade cristã enxerga na fé uma forma de exigir que a vida esteja a seu favor e seus desejos sejam alcançados. Mas, em sua perspectiva, é importante ter olhar crítico para isso: “temos que controlar a parte do pedido, que tange muito à fuga de todo sofrimento. O caminho para isso é como olhamos para a vida de Cristo”. Ou seja, estar em sintonia com a história de Cristo é a melhor forma de viver seguindo a fé, com amor e compaixão.

A distorção social da fé

   Como educador, gestor educacional e ministro da Eucaristia, Eldo explica que a distorção social da fé tem ramificações socioculturais muito grandes. Parte do problema está na dicotomia entre uma atitude que busca evitar o sofrimento e uma necessidade de controle que a sociedade exige que todos tenham.

   Ao almejar algo ou sair de uma situação ruim, é comum recorrer à força da fé, porém da forma equivocada. Isto é, a pessoa tenta determinar o destino por meio de sua fé. “Fazer barganha, trocar promessas, deixar de fazer algo, não comer aquilo e ter atitudes nos campos sociais de assistencialismo, apenas almejando um determinado resultado. Em conclusão, são hábitos para controlar o que se alcança por meio da fé”, observa Eldo.

   Essa forma de compensação, fazer algo para ser merecedor e esperar milagres em troca foge do sentido da fé cristã. Muitas pessoas falam: “Deus no controle”, “Se Deus quiser e ele há de querer”, “Deus proverá”. Mas, na verdade, falam querendo impor vontades. É como se estivesse oculto nessas expressões: quero que seja assim, faça isso pra mim no meu tempo. Logo, uma atitude egocêntrica.

   Em vídeo com orientação a fiéis, Padre Fábio comenta que é comum as pessoas pedirem para Deus ajudar a abrir os caminhos e a encontrar a melhor solução. No entanto, ele lembra que os textos bíblicos revelam que Deus sabe as necessidades de cada um. Isso significa que não é preciso pedir. Então, qual o papel de rezar? “Aí está a beleza da oração, ela não precisa ser um teto lógico. É um desabafo diante de Deus, confiando a Ele nossas realidades. Porém, na oração, acabamos dando palpite para que Deus faça do jeito que a gente acha que é melhor. E parece que somos Deus de nós mesmos”, observa o padre.

Uma fé consciente

   Claro, não se pode generalizar, não são todos os cristãos que seguem o determinismo ao pedir. Porém, diante dos obstáculos da vida, o reflexo pode ser simplesmente cair no sofrimento ou ceder aos impulsos autodestrutivos. Isso faz, de acordo com o diretor, com que muitas pessoas acabem desenvolvendo uma falta de sintonia entre o que querem e o que vivem. Padre Fábio de Melo chama essa situação de divergência entre o “eu real” e o “eu ideal”, razão da infelicidade. “É assim que Deus age em nós. Ele nos ajuda a encontrar um equilíbrio para que possamos realizar, viver a nossa vida, com a satisfação de ser quem a gente é”, esclarece.

   Nas palavras do diretor “entregar as situações a Deus é, antes de qualquer coisa, não abrir mão das responsabilidades que são nossas. Precisamos confiar nas mãos de Deus, porque não sabemos que aquilo que pedimos, que queremos, é melhor para nós.

   A percepção de Eldo é também revelada pelo Padre Fábio de Melo em recente entrevista. Ele reforça a importância de cada um desenvolver o seu papel, não impondo a Deus algo que é dever de cada um. “Então, eu não dou a Deus a responsabilidade de cuidar daquilo que eu sei que é um cuidado meu”.

Esperança e paciência

   O padre reforça a mensagem: “é difícil lidar com a espera e a vontade de Deus, às vezes eu não consigo entender no momento, mas Deus sempre sabe o que é melhor para todos nós.”

   O diretor repete a necessidade de viver e aprender as dores dos tropeços e, no percurso, eliminar as atitudes egoístas em função do respeito e do amor ao próximo.

   “Ao passo que se aceita a cruz, é possível construir o amanhã nessa parceria com Deus, entendendo que o controle não é nosso, é Dele,” diz Eldo. Para o diretor e ministro da Eucaristia, o verdadeiro significado de esperança não é acreditar que tudo vai dar certo por merecimento, mas “que as coisas serão construídas na medida em que se compreende e age da forma que a Palavra de Deus, por meio de Cristo”, revela.

Como usar a fé sem egoísmo

   “Colocar nossa fé a serviço é acreditar sempre que Deus sabe o que é melhor para cada um de nós, então devemos colocar nas mãos Dele e acreditar... Isso é fé”, explica Breno Almeida, coordenador da Espiritualidade Magnum. Ele compreende que chegar a essa maneira de pensar é um processo, mas reforça que deve ser feito. “Não é fácil despojar-se dessa forma, mas é preciso, necessário.”

   O diretor também compara a fé com o amor. Parte dos ensinamentos, diz ele, não está em sentir só coisas boas por pessoas queridas. Está em entender que o sofrimento da distância evidencia os sentimentos bons que aparecem na proximidade. A fé também é assim: lembrar que o lado bom sempre chega.

   Se não, diz ele, a relação da fé fica enfraquecida por milagres que vão ou não acontecer porque a fé não funciona assim. Esse voltar o olhar para o outro é o que precisa ser trabalhado com as crianças e jovens.

O exemplo cristão na escola

   Principalmente ao falar de fé para crianças e jovens, é de grande importância redirecionar para a utilização dela como forma de encontrar um espaço de crescimento e partilha, não de metas e objetivos pessoais. Isso significa alinhar-se às mensagens verdadeiras da vida de Cristo, ou seja, de não ser o rei acima de todos os outros, mas de alguém que espalha o bem para quem precisa. “Uma maneira muito sábia de exercermos a fé em Deus é exercer o cuidado humano. Aliás, acredito que nada nos aproxima mais de Deus do que quando cuidamos de alguém”, revela Eldo.

   Incorporar os ensinamentos bíblicos aos valores do dia a dia na educação faz com que os alunos se aproximem de habilidades socioemocionais importantes, como empatia e solidariedade. Aprendem a não se colocar à frente dos outros.

   Entre as formas de se abordar isso, a comunidade Magnum encontra seus espaços, dentro e fora da sala, para fortalecer a fé. Aulas de Ensino Religioso levam o conhecimento histórico, cultural e memorial das parábolas, além de relacioná-las com o cotidiano dos alunos.

   Grupos de oração, mesmo a distância, são formas de estreitar laços e contribuir para que a comunidade esteja sempre voltada para o bem de todos. Grupos que praticam atividades voluntárias aprendem a exercitar a compreensão e a compaixão pelo próximo sem visar ganhos próprios, parte tão importante da fé cristã.

   Leia mais sobre a linha filosófica do Magnum.