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Depressão: a importância da escuta

11 novembro 2021

A tristeza é um sentimento presente desde os primeiros anos da vida de um indivíduo. Ela está presente quando, por exemplo, vivemos a perda de pessoas queridas, de momentos esperados, sendo eles reais ou simplesmente imaginários. Nessas horas, temos sensações de desconforto, mal-estar, de dor emocional que, com o passar do tempo, serão diluídas com as experiências da vida.
Apesar de não ser benquista na nossa cultura, a tristeza é um sentimento importante, do ponto de vista do amadurecimento: ela é capaz de produzir uma riqueza imaginativa e simbólica grandiosa.

Aprendendo a lidar com frustrações

A capacidade de brincar, de criar, de produzir arte, cultura e conhecimento se dá muitas vezes em situações em que experimentamos dores, frustrações. É claro que isso não significa que devemos produzir artificialmente tristeza nas crianças ou adolescentes, mas é preciso acompanhá-los nesses momentos, oferecendo um ambiente que favoreça a transformação da tristeza em algo que traga sentido na sua vida.
Outro aspecto importante da tristeza é que, quando a sentimos, compreendemos que a vida ocorre à mercê das nossas expectativas. Ou seja, sempre vamos correr o risco de nos decepcionar, frustrar, fracassar em certo sentido.
Por fim, a tristeza costuma provocar maior responsabilidade nas relações entre as pessoas. Isso porque, quando nos entristecemos, ou causamos tristeza em alguém, percebemos que as nossas palavras e atitudes têm impactos na vida dos outros. E passamos a tomar cuidado para não magoarmos pessoas que amamos, não é mesmo?

A questão da depressão

É importante frisar que vivemos numa outra pandemia no mundo: a pandemia da depressão. Os casos no Brasil ainda estão acima da média mundial e a incidência é maior entre as mulheres. Em casos graves, a depressão pode levar ao suicídio, que é a segunda principal causa de morte entre os jovens.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas, equivalente a 5,8% da população.

A depressão é diferente da tristeza. É uma doença e tem como sintoma principal a anedonia, que, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, é a “dificuldade ou incapacidade de uma pessoa em sentir prazer ou se motivar a realizar atividades que antes eram prazerosas”. O indivíduo se sente impotente, sente que a vida desacelera. Podem aparecer problemas no apetite, dificuldade para dormir, sentimento de culpa intenso, dores pelo corpo e irritabilidade.

Nas crianças, são comuns sintomas como falta de graça no viver, falta de curiosidade, pouca tolerância com as próprias falhas e do outro, sem tempo ou sem lugar para inventar ou brincar. Dão mais importância ao brinquedo e ao seu consumo ou ao triunfo na brincadeira do que à própria diversão que a brincadeira promove. Como dizem alguns especialistas contemporâneos, “a brincadeira fica sem graça”.

Já os adolescentes em processo depressivo têm o costume de se julgarem, de se observarem, de se medirem constantemente, a partir dos ideais que eles criam para si e que sempre os colocam no lugar de impotência.

Todos esses quadros não podem ser desvinculados dos ideais da nossa cultura: competitiva, individualista e que, além de prezar a euforia e o triunfo, sempre avalia, cobra a produção, o sucesso e a imagem.

É importante dizer que nem sempre a depressão está associada à tristeza. Pode aparecer também na forma de hipomania, ou seja, aquelas pessoas que se ocupam o tempo todo para não se verem de encontro com o vazio.

De acordo com o DSMV (Manual de Diagnóstico de Transtornos Mentais, criado pela Associação Americana de Psiquiatria), a hipomania é um estado menos profundo da mania, mas com características em comum: “o humor se eleva, a necessidade de sono diminui e a atividade psicomotora acelera. Para alguns pacientes, períodos hipomaníacos são adaptativos, pois produzem alta energia, criatividade, confiança e funcionamento social supernormal. Em alguns pacientes, a hipomania se manifesta como distrair-se facilmente, irritabilidade e humor lábil, que o paciente e os outros acham menos atraente.”

Pode trazer consequências, como atitudes impulsivas, brigas causadas pelo humor volátil e prejuízo às atividades normais do dia a dia.

Como ajudar pessoas queridas com depressão

Além disso, a depressão não é sinônimo de preguiça. Não se trata de uma falta de vontade do indivíduo em sair do lugar. Portanto, falas como “vai passar” ou “você precisa olhar para o lado bom da vida” costumam mais atrapalhar do que ajudar. O que uma pessoa com depressão precisa é de uma boa escuta, sem julgamentos.

Essa pessoa precisa também ser conduzida a um tratamento psicológico e psiquiátrico adequado, a fim de recuperar a sua capacidade de se levar a sério e, ao mesmo tempo, de conseguir rir de si mesmo, tendo o conhecimento do seu tamanho, ou seja, do tamanho dos seus recursos e também da sua vulnerabilidade, como a de qualquer ser humano.

Por fim, é muito importante acolher a ideia de que a vida não vem com o sentido pronto. A pessoa pode sempre se refazer (e refazê-lo) ao longo da vida.

O tratamento da depressão é essencial, pois diminui significativamente o risco de agravamento dos quadros de adoecimento e até mesmo risco de suicídio.

Portanto, é de suma importância que famílias, professores, profissionais de saúde e toda a sociedade criem condições favoráveis para o amadurecimento saudável de crianças e adolescentes.

Por exemplo, prevenir o bullying, promover espaços de acolhimento, capacitar cada vez mais pessoas na arte da escuta. E, em casos de necessidade, conduzir indivíduos à ajuda adequada, de forma cuidadosa e atenta.

Por Danielle Matos, psicóloga do Plantão Psicológico Magnum

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