COLÉGIO MAGNUM CIDADE NOVA

UMA ESCOLA COMPLETA

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Notícias  

Distantes da escola

09 abril 2021

   Em decorrência do distanciamento social imposto pela Covid-19, há exatamente um ano as escolas foram fechadas em todo o País. Nesse período, marcado por incertezas de toda espécie, incluindo as divergências dos próprios especialistas em relação às medidas de prevenção, medicamentos e tratamentos apropriados, muito se especulou a respeito do retorno às aulas presenciais, tendo, em certos momentos, até algumas tentativas frustradas de retomá-las.

   Em meio a tantas dúvidas, uma certeza pode ser constatada: a ausência do espaço escolar no dia a dia dos estudantes trouxe prejuízos não só na aprendizagem, mas também nos âmbitos físico e emocional de crianças e adolescentes.

   É inegável que o esforço empreendido pelas escolas para viabilizar o ensino a distância foi determinante para amenizar as perdas relacionadas ao processo de aprendizagem dos alunos, contribuindo de maneira significativa para que, mesmo no sistema não presencial, eles mantivessem o foco nos estudos e nos resultados. Nesse contexto, dois problemas se mostraram especialmente relevantes: a inexperiência de grande parte dos professores em lidar com tecnologias e plataformas digitais e driblar a insegurança diante das câmeras, mantendo a mesma desenvoltura e atitude diante de uma lousa, como numa sala de aula presencialmente.

   Baseado na última pesquisa do TIC (Tecnologia de Informática e Comunicação) Educação, divulgada no início da pandemia, 53% dos docentes disseram não ter preparação específica para o uso do computador e da Internet e ainda ressaltaram que esse despreparo dificultava muito o desempenho do trabalho do professor, naquele momento. Esse dado é de impressionar, mas não para por aí, pois, segundo essa mesma pesquisa, 39% dos alunos das escolas públicas e 9% dos alunos das escolas particulares informaram não dispor de computador ou tablet em casa.

   Se, ao longo de 2020, esses empecilhos relacionados à transmissão de conteúdos tiveram que ser encarados e resolvidos de alguma forma, um outro problema foi-se agravando e adentrando o ano de 2021. Especialistas em educação, como a professora e pesquisadora Nana Haddad, doutora em Educação pela Unicamp, alertaram para o fato de que o longo período de ausência do espaço físico escolar vem causando um significativo dano emocional a crianças e jovens.

   Assim, se no início do isolamento social a comunicação do fechamento das escolas causou uma geral desorientação, pois não havia como saber quando voltariam a funcionar, à medida que os dias e meses foram passando e a retomada das aulas presenciais foi sendo procrastinada, detectaram-se problemas de ordem física e psicológica manifestados pelos estudantes e, por isso, eles passaram a ser o centro das preocupações de vários especialistas na área de educação e saúde.

   Acostumados a uma rotina escolar com muitas atividades e de intenso relacionamento social, crianças e adolescentes se viram obrigados a um incômodo isolamento em casa, convivendo com os familiares em espaço restrito e nem sempre tranquilo. Mesmo os que puderam estabelecer uma rotina de estudo, deveres e avaliações organizada pelas boas escolas não tinham como não sentir a prolongada ausência do dinamismo próprio do espaço escolar. Até aqueles que contavam com a assistência on-line de psicólogos e outros especialistas da educação confessaram sentir muito a falta das amizades, dos grupos formados pelos colegas com quem mais se identificavam, dos namoros, das polêmicas geradas pelos mais variados motivos, dos estudos em grupo, das brincadeiras dentro e fora das salas de aula, dos professores mais amigos, das festividades, das reuniões e das atividades extraclasse.

   Desse modo, os especialistas em educação têm manifestado sua preocupação em relação aos impactos emocionais e consequentes transtornos provocados pelo prolongado distanciamento entre os alunos e o ambiente escolar. 

   É evidente que o próprio processo de aprendizagem dos estudantes sofre prejuízo em decorrência desse estresse emocional. Mesmo aqueles que tentam se adaptar a uma disciplina amparada em horários bem definidos são frequentemente atingidos por dificuldades de concentração, ansiedade, tristeza, saudade, que alteram a hora de dormir e o tempo dedicado ao sono e às horas dedicadas às distrações e ao lazer on-line.

   Assim, neste momento de dificuldades causadas pelas restrições impostas pela pandemia, a preocupação com a saúde mental e com o equilíbrio emocional dos estudantes é tão relevante como a atenção dada ao seu rendimento escolar.

   Muito tem-se insistido em esclarecer que a escola não é apenas um lugar dedicado exclusivamente à transmissão de conhecimentos, mas um espaço que deve privilegiar as habilidades socioemocionais, tendo como principal objetivo a formação dos alunos.

   Portanto, por mais que – neste momento tão difícil – a educação a distância possa suprir as necessidades de aprendizagem dos estudantes, não há como negar que o espaço físico da escola é de vital importância para o desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes, pois é efetivamente nele que eles amadurecem paulatinamente, desenvolvendo a sua individualidade, a partir da interação com seus pares e com os educadores, sociabilizando e diversificando as relações por meio do convívio diário.

   Por isso, é de suma importância que as escolas organizem equipes formadas por médicos, psicólogos, pedagogos e psicopedagogos para que, juntos, possam atuar nessa fase final do isolamento social e contribuir com o processo de preparação para o retorno às aulas presenciais.  

   O pós-pandemia trará um novo modelo de escola, uma nova proposta de convivência com distanciamento e sem contato físico, e uma nova formatação de aula que, possivelmente, será no modelo híbrido. Todas essas mudanças trarão consigo uma certa insegurança, mas o mais importante será – gradativamente – tentar retornar à normalidade.

   Assim, será essencial compreendermos como crianças, adolescentes e educadores foram afetados durante esse longo período longe do convívio com seus pares no espaço escolar e cuidar para dirimir as sequelas deixadas em cada um pelo isolamento social, devido à COVID-19.

   Que, pela misericórdia e graça de Deus, possamos contribuir de maneira efetiva para que tanto os gaps de aprendizagem, quanto os danos físicos e, principalmente, emocionais dos nossos estudantes sejam – aos poucos – cicatrizados, ficando, com o tempo, relegados ao passado como simples lembranças.

 

Eldo Pena Couto

Diretor do Colégio Magnum