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História e pandemia: o que esses momentos difíceis nos ensinam?

29 janeiro 2021

   Vivemos um período difícil da História. Em 2020, fomos fortemente afetados pela pandemia do novo coronavírus. Em março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu a doença como uma pandemia. Desde então, estamos lidando com suas consequências. Mas essa não é a primeira pandemia que acontece na História. Outras doenças marcaram profundamente as sociedades e transformaram o modo de vida das pessoas e o curso da História.

   Algumas das principais pandemias, como a Peste Negra, foram também relatadas na literatura. Assim, tivemos a chance de conhecer aspectos culturais desses momentos históricos de uma forma aproximada. Vivendo também uma pandemia, nós podemos conhecer e refletir sobre o que esse tipo de acontecimento pode nos deixar.

 

Pandemias na História

   Se olhamos para a História, vemos que muitas outras epidemias e pandemias ocorreram antes da que presenciamos atualmente. Desde a Antiguidade, conhecemos registros de doenças que afetaram profundamente algumas sociedades. Muitos casos, inclusive, sequer ganharam registros contundentes. Nessa lista, podemos conferir as quinze principais pandemias que ocorreram ao longo da História. A Peste Negra e a Gripe Espanhola são dois grandes destaques dessa lista.

   A primeira assolou a Europa no século XIV, vitimando, entre 1346 e 1353, cerca de 20 a 25 milhões de pessoas. A pandemia foi um dos fatores determinantes que levou à crise do feudalismo na Europa medieval, uma vez que teve profundos impactos políticos, sociais e culturais. O agente causador da doença é a bactéria Yersinia pestis, que cresce no sangue de roedores. A disseminação acontece através da picada da pulga do rato e pelo contágio entre seres humanos. A alta taxa de mortalidade se deveu ao fato do desconhecimento, na Idade Média, de formas eficazes de se evitar o contágio. Diante do cenário aterrorizante, muitas tentativas de explicação surgiram. Porém, a teoria mais aceita na época foi de que o homem estava pagando pelos pecados na Terra.

   A Gripe Espanhola se espalhou ao fim da Primeira Guerra (1914-1918).  O cenário era de um mundo abalado por um conflito que matou milhões de pessoas. Mesmo com grandes avanços científicos da humanidade, ainda assim a mortalidade foi impressionante. Ou seja, não basta conhecimento sem colaboração coletiva para conter a doença. Foi uma pandemia causada pelo vírus da gripe H1N1, que infectou e matou milhões de pessoas, majoritariamente adultos jovens.

   Precisamos lembrar que o estudo da História e o registro dos fatos dependem de um contexto. Para Michelle Fialho, professora de História do Magnum “é preciso treinar um olhar que leve em conta os diferentes valores e crenças de cada contexto, além de entender que não se pode analisar o ser humano e seus atos de forma maniqueísta”.

O que momentos de adversidades deixam no mundo?

   É comum a reflexão do que acontecimentos como guerras e grandes conflitos deixam no mundo. Eventos desse tipo mudam o percurso da História de forma definitiva e profunda. Diversas áreas são afetadas por grandes acontecimentos: a economia, as relações sociais, a cultura e a política, por exemplo. Uma pandemia, porém, também representa mudanças que podem ser bastante profundas na humanidade. “É fundamental construir o entendimento de que a História é viva e que fatos e processos do passado repercutem positiva ou negativamente na nossa existência presente”, afirma Michelle Fialho.

   Momentos adversos como uma pandemia podem desestabilizar ou fragilizar diversos elementos da nossa sociedade e cultura. As relações sociais precisam se reconfigurar, uma vez que não podemos manter a mesma forma de nos relacionarmos de antes. O estudo e o trabalho se tornaram remotos e, mesmo quando tudo melhorar, sabemos que algumas atividades poderão ocorrer de forma on-line com mais frequência.

   A economia é uma das estruturas mais abaladas, precisando se reinventar para que seu movimento não cesse. A política pode ser vista a partir de um novo aspecto crítico: como nossos representantes lidam com uma crise tão profunda, quais escolhas fazem e como tratam a população? A área da saúde, sem dúvidas, é a grande afetada. Um elevado número de mortes diárias e todas as demais consequências da doença marcam profundamente os trabalhadores da saúde e a população em geral. Como percebemos, a totalidade das atividades e das áreas da nossa sociedade é afetada por um acontecimento característico.

Vivendo a História: presenciando um período como uma pandemia

   “Eu costumo dizer aos alunos que é bem mais fácil estudar História do que vivenciar um momento histórico. No entanto, ser testemunha desse contexto também é uma oportunidade única para se repensar o papel da humanidade no planeta”, pontua a professora.  Michelle cita o exemplo da ação predatória humana na natureza e reitera a posição da comunidade científica de que se nosso comportamento não mudar fortemente outras pandemias serão inevitáveis.

   Segundo a professora, o ser humano no tempo é o objeto de estudo da História. Ela ensina que quando nos defrontamos com uma situação como a atual, com todos os seus desafios e impactos diretos na nossa existência, somos chamados a refletir sobre o histórico de nossas ações diante da natureza e dos outros seres humanos.  “Queremos continuar trilhando o caminho do desrespeito ao meio ambiente, do consumismo predatório e da indiferença ao interesse coletivo, ou vamos fazer a opção por outras formas de relação com o planeta?”, instiga a professora.

Pandemia e literatura

   Muitas obras literárias retratam pandemias, inspiradas na realidade ou construídas na ficção. Desde a Idade Média, encontramos vários exemplos de obras sobre acontecimentos pandêmicos. O grande autor italiano Giovanni Boccaccio escreveu, entre 1348 e 1353, o conjunto de novelas chamado Decamerão. Sua obra é um dos registros da Peste Negra feitos pela literatura. A narrativa consiste na fuga, para o campo, de dez jovens (sete moças e três rapazes) das cidades destruídas pela doença.

   Através da narração dos jovens nas cem novelas, Boccaccio retrata características da Peste Negra, como o funcionamento da doença, mas também elementos culturais e reações diversas das pessoas diante de uma pandemia. O livro explica que reações opostas surgiram: enquanto algumas pessoas se isolavam e buscavam o recolhimento e até mesmo a prece, outras desbravavam as cidades em busca de prazer e excessos, em um ímpeto de viver a vida em uma situação extrema e devastadora.

   Outro livro interessante, do escritor franco-argelino Albert Camus, é A Peste. Escrito na década de 1940, trata de uma epidemia numa cidade fictícia da Argélia, que entra em quarentena e fica isolada do resto do mundo. O protagonista é um médico que, em meio ao cuidado dos pacientes, faz reflexões muito profundas sobre a vida, a amizade e o amor. Embora o livro seja interpretado como uma metáfora da ocupação da França pelos nazistas durante a Segunda Guerra, é muito inspirador, por colocar o ser humano – e suas decisões e omissões – no centro da narrativa e não a doença.

   Agora que você aprendeu mais sobre pandemia e História, que tal conhecer a pandemia e outras áreas como a ciência?

   O professor de História do Magnum, Décius Moreira Caldeira também colaborou com esta produção, listando fatos e momentos históricos trabalhados com os alunos do Ensino Médio, inclusive relativos à pandemia da COVID-19, e que serviram de base para a narrativa.

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